A Oficina Raquel existe desde 2006, quando, em tempos confusos, estreou editando poesia. O compromisso primeiro da editora é justamente esse, com a poesia, o que se desdobra em outros gêneros, e permite que se diga: o compromisso da Oficina Raquel é com o poético.
Sendo uma editora diferente - sobretudo no sentido de uma grande vontade de abrir portas, de pensamento e risco -, a Oficina Raquel não entende o êxito pela fartura dos leitores numerados em venda, mas na fartura de leitores que encontram em nossos livros a própria fome do movimento.
Por isso, queremos mover-nos, no poético em verso, ensaio ou ficção: queremos, leitor cúmplice, comover-nos.
que este livro dure até antes do fim do mundo
Saiba mais sobre as novidades no blog da Oficina Raquel
EQUIPE
Editores
Luis Maffei e Raquel Menezes
Assistente editorial
Beatriz Helena
Fundador
Ricardo Pinto de Souza
COLEÇÕES E PROJETOS
Portugal, 0
Carta de fundação da coleção Portugal,0:
"A poesia portuguesa tem vários séculos de vida. É uma história longa, dotada de um passado tão forte como presente. A poesia portuguesa, de tanto passado, também tem presente. Vários séculos e novos séculos: séculos novos, poesia nova, um poético Portugal em estado de fundação. Portugal, pois, em estado zero, Portugal, 0. Aqui, assim, o cabimento de se olhar a poesia nova portuguesa, a necessidade, a premência. Porque esta poesia não é apenas nova, ela terá, por ser quem é, vários séculos de vida, e terá seu passado em situação de grande novidade. Portugal, 0, Portugal desde sempre em estado de fundação.
São poetas de agora, vivos e jovens, os que vêm nesta coleção. Poetas que estréiam no final do século XX, invadem, viçosamente, o XXI, lêem sua história e a ela dão prosseguimento. A Portugal, 0 interessa a ponta-de-lança, um presente cheio de tradição e de coisas frescas. E interessa também dar ao leitor brasileiro, afastado de tudo o que este poético Portugal vem escrevendo, o conhecimento desta rigorosa novidade, nem tão estranha assim àquilo que nossos olhos, nossas angústias e maravilhas costumam experimentar.
Que venha Portugal, 0, e que tenha longa vida, pois esta poesia, de séculos e de agoras, vida longa tem e terá."
Coleção Alfa
Carta de fundação da coleção Alfa:
"NOSSA AURORA VIRÁ
Cuida da flama, até que possamos despertar novamente, seguros.
A flama está em nossas mãos, a confiamos a ti, este nosso demônio sagrado da ingovernabilidade.
Cuida da flama e descansaremos em paz.
Criança, sê estranha, obscura, verdadeira, impura e dissonante.
Cuida da nossa flama.
David Rudskin"
Das muitas corrrentes de crítica ao capitalismo surgidas a partir do século XIX, é a tradição anarquista que consegue ser simultaneamente a mais radical em suas ambições, a mais romântica, a mais intransigente em seu entendimento da realidade do capitalismo. Estes extremos têm várias consequências, das quais a pior talvez seja a mistificação da teoria anarquista, entendida ora como afeto infantil e destrutivo pela desordem, ora como uma ideologia utópica nada distinta de tantas outras, ora como uma contradição: o movimento anarquista seria estruturalmente contrário a uma toria. Esta confusão é quase que um atributo inseparável do movimento anarquista, e tem razões mais profundas do que a natural pluralidade e defesa da diferença das correntes de esquerda libertária.
Possivelmente, qualquer teoria anarquista precisaria dar conta desta resistência à definição, que fez, obviamente, parte do espírito do movimento. No entanto, há aspectos essenciais do movimento que poderiam, sim, servir de base para uma teoria. A resistência à autoridade ilegítima e à hierarquia, o ódio à tecnocracia, às estruturas de controle, à exploração econômica, , e, finalmente, o compromisso inscapável, ireedutível e tirânico com a utopia, aqui e agora. Falar de anarquismo é necessariamente falar de luta pela utopia, do lugar político em que a liberdade e todos seus atributos estejam realizados: liberade de trabalho, opinião, afeto, movimento, erotismo, julgamento, expressão, etc. Toda discussão dos movimentos anarquistas gira em torno de possibilitar o surgimento de condições políticas, econômicas e culturais que permitam a manutenção de todas estas liberdades. O outro lado da moeda deste compromisso é a necessidade de crítica e resistência ao tipo atual de conformação da realidade que impede o surgimento destas condições.
A coleção alfa pretende dar uma pequena contribuição a este esforço através da publicação de textos que tenham pensado o homem e a realidade sob este prisma, o da liberdade como um destino humano, constantemente roubado, adiado, impedido, com consequências desastrosas. Nem todos autores a serem publicados pela coleção poderiam ser considerados anarquistas, mas todos contribuíram de alguma maneira para dar forma a nossa idéia de liberdade.
Coleção Canace
Alberto Pucheu abre a coleção Canace, que edita ensaios inéditos de jovens autores. A presença de Luís de Camões na epígrafe, "Qual Canace que à morte se condena,/ N?a mão sempre a espada, e noutra a pena" (Os Lusíadas, VII, 79, 7-8), além de prestar uma homenagem ao grande poeta de língua portuguesa, sugere uma possível essência do ensaísmo: lutar por um argumento, com "engenho e arte".
A coleção teve seu segundo autor publicado em 2011. Roberto Corrêa dos Santos e seu Fantasmas do futuro luxo noturno dão sequencia ao projeto de escrita fragmentada e crítica, sempre em debate e, por isso mesmo longe das zonas de conforto. Para o próximo ano contamos já com as confirmações de Luis Maffei e de Lucia Helena como autores Canace.
Academia
A coleção Academia é dedicada a obras de divulgação acadêmica ou científica.

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