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Em Acostamento encontramos um poeta jovem preocupado em registrar o estranho equilíbrio entre desespero e esperança, brutalidade e delicadeza, banalidade e grandeza, tédio e excitação que em sua chave de leitura do mundo forma a experiência humana atual. Seguindo a grande tradição da poesia moderna, Pasche vira seu olhar para o cotidiano, para a vida presente dos homens presentes, e tenta processá-la com ironia e compaixão quase românticas. No que encontraremos de crueldade e de melancolia em suas palavras, corremos o risco de nos encontrar, a nossos vizinhos, a nossa vida.

A ilustração da capa é uma xilogravura, sendo que foram feita 4 gravuras diferentes, literalmente 4 capas diferentes, o que concede ao livro um caráter único.

pequena nota biográfica do autor

Marcos Pasche nasceu no dia 10 de fevereiro de 1981, na cidade do Rio de Janeiro, onde mora (no bairro Campo Grande). Trabalha como professor e é presidente da associação de moradores do Parque São Pedro (AMPASPE). Cursou Letras na UFRJ, onde hoje faz Mestrado em Literatura Brasileira, e defenderá dissertação sobre a poesia de José Paulo Paes. Acostamento é seu livro de estréia.

 

leia o prefácio de Antônio Carlos Sechin

 

 

Gênero Poesia

Capa Dura

Formato 19,5,0 x 14,0

Páginas 120

Preço R$ 18,00

 

 

 

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Apresentação

 

Antônio Carlos Sechin

 

Acostamento, de Marcos Pasche, se constituiu na promissora estréia de um poeta que efetua uma particular síntese entre ingenuidade e malícia, ora revelando-se o ser (precocemente) desiludido frente às promessas pretéritas que a vida se incumbe de triturar (cf. "Pombos"), ora reprocessando o material triturado para com ele armar-se frente ao futuro (cf. "Província"). Apesar de, no registro dicionário do termo "acostamento", Pasche haver enfatizado a oitava acepção, percebemos que, em graus diversos, todas as demais são pertinentes a seu trabalho, desde que substituamos o vocábulo original por "Poema", e permitamo-nos, em decorrência, efetuar as devidas adaptações:

Poema,s.m. 1 ant. moradia que a Poesia dá a seus seguidores (o poema: a casa preferencial da poesia);

2 dependência material em troca ou não de serviços (às vezes a poesia parece entrar "de graça" no texto, cf. "Lembrança do olhar", outras exige grande trabalho do poeta,cf. "Acostamento", sem falar nas ocasiões em que, apesar do esforço de construção, a morada fica vazia);

3 apoio na superfície de outro corpo (a matéria do poema se abastece em outros corpos poéticos, dialogando com o que, neles, aflora à superfície para ser transplantado ao novo corpo – cf. "A face");

4 disposição do corpo na horizontal (o poema se depõe horizontalmente, em linhas sucessivas; a verticalidade é esporádica, quando não "decorativa");

5 estado de contigüidade; limite, vizinhança (poemas à beira-vida e à beira-livros, quando for possível demarcar os dois espaços; melhor ainda quando não é possível – exemplo: "Carne-viva");

6 posicionamento próximo a algo (poema se abeira do poético, cf. "Charles Baudelaire", "Na volta do trabalho", ou da falência, quando fracasso)

7 mar atracamento em cais, embarcação etc. (poema deve buscar outro poema, embarcar em outros textos de igual natureza, cf. "Canção do exílio". E não ficar parado no cais, ouvindo só o que o crítico lhe diz...).

É hora, portanto, de soltar as amarras deste Acostamento, que, na oitava acepção, é "margem destinada sobretudo a paradas de emergência". A margem crítica já foi ocupada por tempo suficiente. À poesia, leitor!