Em para apascentar o tamanho do mundo encontramos uma voz excepcionalmente sensível para o espanto
epifânico que dá forma à matéria poética. A beleza plástica e
existencial de certas imagens e situações e a solar presença da
matéria vivida fazem parte da poética de Sebastião Edson Macedo. Com
uma dicção musical e um trabalho minucioso de linguagem, somos
levados a reencontrar a paz e o entusiasmo do tamanho do mundo.
pequena nota
biográfica do autor
sebastião edson macedo nasceu em 1974 em Floriano, interior do Piauí. Mora
atualmente no Rio de Janeiro, onde publicou o livro cego puro sol na antologia 8
poetas (ufrj / fl, 2004).
leia o prefácio de Sergio Cohn
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Gênero Poesia
Capa Dura
Formato 19,5 x 14,0
Páginas 115
Preço R$ 18,00
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Posfácio
Sergio Cohn
Existe a arte de manter tenso o arco da
atenção. Um estilo, quem sabe. Não para apascentar o que é tamanho, mas para
despertar os sentidos que interessam ao mundo. É uma arte difícil. Qualquer
palavra, se errada, impede todo equilíbrio. Por isso as elipses, os vazios. Por
isso a irredutível precisão dos termos.
No Brasil, esta dicção intensificada é vista como em oposição aos valores do
nosso modernismo. Ou, se quiserem, da nossa tradição moderna, tão marcada pela
linguagem e temática cotidiana. Assim, ela é julgada muitas vezes como
formalismo estéril, ou como uma linguagem excessivamente aristocrática a ser
evitada. Se isto pode ocorrer em alguns autores, a generalização é falsa, e no
seu limite causa a redução do campo expressivo da poesia.
Sebastião Edson Macedo é, entre os jovens poetas, um dos que utilizam este apuro
formal com maior propriedade. É emblemática em sua obra a consciência da
linguagem, assim como a originalidade e a beleza imagética. Mas, como em todo
poeta que se preze, há em seus textos muito mais do que experimentação formal. É
só ler versos como
Eu abro os rolos do vento no seu ouvido
e na flor muito lenta trabalho
não o seu sentido para o perfume
que invade o teu presente e te arrasta
mas o seu poder de chão que permanece
mesmo no vôo do pólen na raça
do espinho
e
para apascentar o tamanho do mundo
e aderir aos avisos
e suspender a invenção do dia seguinte
tão franca a algazarra do sol
nas crianças
só assim
a noite pode ser simples
e eu posso voltar
as mãos
para a temperatura que faz
do lado de fora de quem somos
para perceber que há neles a necessária informação da experiência vivida e, o
que é mais importante, a busca de um ethos em relação ao mundo.
Este talvez seja o grande valor da poesia, e certamente o mais difícil de ser
alcançado: o de criar uma ética atuante e livre. Para isso, é necessário o
cultivo dos sentidos através de uma abertura para o outro, um apuro formal
informado e um alto grau de autenticidade. Coisas que encontramos neste livro.
Coisas de poeta. Coisas de Sebastião. |
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